Pois é, estou oficialmente morando sozinho. Tecnicamente, minha primeira noite sozinho foi a de quinta passada, mas sexta depois da aula eu já voltei pra casa, então não conta. Então, a partir de hoje, sou um garoto independente. Que mora sozinho. Que faz seu próprio almoço (leia-se: que descongela a comida que trás de casa nos finais de semana, só cozinhando mesmo o arroz). Que limpa o banheiro. Que toma vergonha na cara.
Não vou dizer que não estou com medo. Se eu dissesse, ou estaria mentindo ou seria um grande masoquista. Mas não é bem um medo, sabe. É um frio na barriga. O anseio pelo desconhecido.
A idéia de morar sozinho parece ser bem libertadora na teoria, mas na prática pode ser meio assustadora. Ou não. Depende do referencial.
Sozinho, eu posso ter meus próprios horários e regras. Não que eu vivesse na base das regras e dos horários lá em casa, mas também isso não significa que eu vá dar a louca agora, só por que tenho um apartamento só pra mim. Pensando bem, talvez até seja menos estressante do que a vida normal em casa. Aqui sou só eu e Deus, minhas séries, filmes e livros e meu ipod velho de guerra. E, claro, meus materiais do cursinho.
É estranho o fato de eu ter um fogão e uma geladeira. Trouxe o microondas super-old lá de casa, meus pais compraram um novo pra eles.
Parece que foi ontem que eu tava na oitava série, matando quinhentas aulas por semana pra ensaiar a apresentação do cinqüentenário da escola. E, olha só, minha irmã já está na oitava série.
Opa, parece que tem mais alguma coisa velha aqui dentro, além do meu microondas.
Pegando a onda de Lost, parece que eu to viajando no tempo. Não parece que meu segundo ano foi há três anos. Não pode ser verdade.
Agora eu estou no meu próprio apartamento, com uma geladeira e um fogão. Daqui uns dias eu compro um cachorro. Ou um furão. Ou um iguana.
Mas eu tenho uma apólice de seguros pra impedir que meu nariz sangre até a morte como o povo da ilha de Lost, algo pra que essas viagens no tempo não me afetem. Tenho uma constante que liga minha vida do flashforward com a do flashback. Uma coisa que faça/fez parte dessas duas épocas que, mesmo tão interligadas, parecem tão distintas.
Enquanto eu tento me acostumar com tudo isso, enquanto eu tento passar ileso pela fase da adaptação, meu microondas é a minha constante.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário